segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Perdido em Ti

Há algo acima de nós que não compreendo mas em que acredito. Ou postas as coisas de outro modo, em que me sinto compelido a acreditar. Creio que as estrelas giram e se movem em uníssono, como parte de um grande todo, e se nós nada mais somos que pó dessas mesmas estrelas, movemo-nos em sentido com elas, seguindo os seus desígnios no decurso das nossas vidas atribuladas e, em algum momento nelas, encontramos aquele instante que nos faz pensar que realmente há algo mais, algo incontrolável que nos faz seguir naquela direcção, fazer aquela pergunta, dar o passo decisivo... um daqueles momentos que por mais voltas que a vida dê, acabará sempre por chegar e encarar uma pequena escolha por mais trivial que seja como guiada pela mão de uma qualquer estrela que nos observa. Devem ter sido os teus olhos, algo perdidos no meio da confusão que se vivia atrás deles, estagnados e renitentes, que me fizeram dar o passo, aproximar-me e ouvir o meu desígnio. Poderia ter sido apenas uma decisão banal, como tantas outras, que acabou por me revelar em momentos de clarividência o que realmente quero, o que realmente preciso, aquilo que sempre desejei desde o momento que tive e que pensei não querer mais desde o momento que perdi. Desde esse instante que compreendi que há algo a que eu não posso escapar. Não consigo. Não quero. É impossível, é demasiado forte, demasiado avassalador, maior do que eu, tu, tudo o que possa imaginar, que me faz gritar, saltar, rasgar a pele e expor o meu coração a nu. É inegável o laço que nos une, talvez sempre soubesse que ele existia, que estava lá, discreto, silencioso, que um dia havia sido forte como um feixe de aço e se tivesse enfraquecido a uma frágil malha de linho. Não poderia estar mais enganado. Durante todo este tempo, qual gigante adormecido, o sentimento tomou-me de assalto, tudo o que me prende a ti passou de uma ponte frágil e modesta à mais forte das fundações, tudo num piscar de olhos, num trocar de breves palavras, em momentos de confissão e de arrependimento que rapidamente fizeram reatar o que parecia longínquo e das peças quebradas reconstruir em todo o seu esplendor o mais forte e belo dos sentimentos que já tive. Ainda me transcende o que aconteceu e acontece todos os dias, sufoca-me, mas é um sufoco bom. Gosto que me falte o ar, se ele for respirado por sonhos diurnos de ti. Perco-me a cada momento nas memórias dos dias felizes em que tudo o que precisávamos estava ali ao estender de um abraço, à distância de um beijo. Sinto-me navegar para lá do horizonte, para um lugar onde a felicidade reina suprema, seguindo o canto da tua voz e o brilho do teu olhar. Agradeço aos desígnios de quem nos rege, quais pequenas estrelas caóticas no seu momento de fulgor, de nos ter juntado aqui e agora, depois de tudo o que passou, depois da tempestade e da longa travessia pelo deserto. Estou de novo perdido em ti, onde talvez sempre estivesse sem ter dado conta, adormecido pela mágoa, onde me reencontrei com aquilo que a vida tem de melhor. Amor puro, completo, belo, repleto de entrega, esperança, alegria e força. Estamos de novo perdidos um no outro, desta vez com o mapa da confiança e da experiência para nos guiar. Deixemos as nossas estrelas viajarem juntas...

2 comentários:

Kelloguita disse...

Porra!! Está brutal!!

PePtiDaSe disse...

Continuas a sentir, a escrever e a amar com a mesma força que sempre conheci em ti. Espero que a inspiração e as estrelas que te guiam permaneçam para sempre, para que possa ler as tuas palavras mágicas e acabar sempre por sorrir. Welcome to blogamus world =)**