segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Eu...


PERFIL

"Emocionalmente estável, gere de modo eficaz os seus comportamentos, mostrando-se sintónica com as realidades que a envolvem.

Apesar de denotar tendência para a impulsividade, consegue um razoável auto-controlo e domínio das situações com que se depara.

Com equilíbrio entre introversão e extroversão social, integra-se razoavelmente nos grupos em que interage, ainda que revele tendência para a desconfiança, sobretudo enquento não conhece devidamente o meio ambiente que integra.

Patenteia alguns sinais ansiogénicos algo acentuados, mas não se verificam quaisquer traços do foro psicopatológico, carecendo, no entanto, de mais auto-confiança e segurança pessoal.

Sensível na esfera das relações humanas, é cooperadora com os outros, de fácil convivência, sociável e afectiva, não se detectando quaisquer traços de conflitualidade.

Mostra-se flexível de pensamento e maleável ao nível das suas atitudes, não apresentando características de grande afirmatividade juntos dos elementos dos grupos em que interage.

Contudo, em contextos situacionais onde se sinta com à-vontade, tende a dar mostras de ser uma pessoa algo obstinada e teimosa."


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Lisboa, 03/01/2002


Entrei na sala e, horas depois, após vários exames escritos, chegou a hora da verdade: a entrevista. Posso certamente dizer que nunca vi uma descrição tão perfeita, uma pintura tão bem delineada, um conjunto de palavras que tão bem me representavam. E, na página seguinte, o resultado da Orientação Profissional.


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Creio que o Psicólogo só não pensara que a Orientação Profissional era apenas um pedaço de um sonho... de uma grande luta através dos tempos que, por enquanto, está longe de ter um fim feliz. Quando se sonha e não se alcança, quando a fasquia é altíssima e o nosso corpo não salta tão alto, quando nos cortam as asas...aí sim temos a frustração. Mas não. NÃO! Não posso ficar muda, nem cega... Não posso redimir-me ao papel de "coitadinha"... Não! Nem pensar... Posso apenas ultrapassar o sonho, admitir que não alcancei e que não vale a pena tentar mais. "Não desistas", dizem. Mal sabem a vontade que tenho de lutar, mas por vezes temos que fazer opções na vida... A minha opção será ficar ou partir. Dizer basta e seguir este rumo que a minha vida tomou, ou tentar mudá-lo. Esta opção será feita. Talvez em breve. Talvez o meu sonho valha isso, veremos...

3 comentários:

Anónimo disse...

O psicologo não pensa nem deixa de pensar nos sonhos de cada um, ele apenas ORIENTA de acordo com a nossa personalidade. E se essa pessoa escolhe seguir o caminho ORIENTADO pelo psicologo, entao a responsabilidade de sucesso ou fracasso é dela, foi ela que tomou a escolha de seguir a orientaçao. Dado o timing e o conteudo deste texto deves fazer parte daqueles 10% de alunos que nao entraram no curso que queriam no ensino superior... é a vida!

PePtiDaSe disse...

Sim, faço parte. Nunca pensei em seguir aquilo que um psicólogo me diria, até porque não sou mulher de horizontes cortados. Sei perfeitamente o que quero e quais são os meus sonhos. Só lhe dou o mérito porque ele me descreveu na perfeição, e acertou na minha vocação.

PePtiDaSe disse...

Hum...falei no facto de o psicólogo pensar no que seria o caminho que eu seguiria, apenas porque ele me disse prontamente que eu devia lutar fortemente pelo que queria... ele disse não apenas no papel que estava a desempenhar mas também com uma proximidade extrema, que admirei e que a minha forte sensibilidade adorou. Por isso o referi assim. É sempre bom explicarmos como as coisas se passaram a quem, derepente, resolve fazer juizos sobre aquilo a que nao assistiu. Anonimamente.